Circula nas redes sociais um post que diz que somente Brasil, Cuba e Venezuela usam urnas eletrônicas em eleições. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. 

A informação analisada pela Lupa é falsa. O boato que circula nas redes sociais é antigo e vem sendo compartilhado desde 2018. Na época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou um esclarecimento para mostrar que a informação era falsa. De acordo com o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), 26 países, como Índia e Peru, usam urnas com tecnologia eletrônica para eleições gerais, de um total de 178. Outros 16 utilizam esses equipamentos em pleitos regionais.

Na Venezuela, o voto é eletrônico. Conforme o Regulamento Geral da Lei Orgânica de Processos Eleitorais, de 2012, o eleitor dirige-se à urna, pressiona os botões referentes ao candidato, e clica, em seguida, no botão ‘Votar”. “O voto ficará depositado eletronicamente nas unidades de armazenamento do sistema automatizado de votação”, diz a legislação.

Além disso, logo em seguida, um comprovante do voto é impresso. “Pressionado o botão ‘VOTAR’ na tela, a máquina de votação imprimirá um comprovante de voto, no qual deverá ser obrigatoriamente depositado pelo eleitor ou eleitora na urna, para realizar a Verificação Cidadã”.

Em Cuba, a Lei Eleitoral e o Decreto Lei 248 diz que, durante a eleição dos delegados às assembleias municipais do Poder Popular, o eleitor recebe uma cédula de papel dobrada e é instruído sobre a forma de votar. “Escreva um X (X) ao lado do nome do candidato em quem você está votando; então dobra a cédula e a coloca na urna”, explica a legislação. Em nenhum momento do texto é citado alguma informação sobre o uso de urnas eletrônicas na votação.

Aqui, no Brasil, a urna eletrônica é utilizada desde as eleições municipais de 1996 e passou a adotar a identificação biométrica por impressão digital em 2008.

O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhastApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios e TVs universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).”

Curso de Jornalismo da UFMA-Imperatriz junto com a Agência Lupa contra a desinformação